Novos paradigmas do saber.

02/12/2011 as 9:45 - Por

Rafael Pacios de Andrade

rafael-pacios@hotmail.com

 

Hoje, notamos o aumento espantoso da velocidade da mudança da relação da sociedade com o saber. Isto está alterando drasticamente a natureza do trabalho e da educação. Como catapulta do processo, o surgimento do ciberespaço e tudo que o envolve está influenciando diretamente o modus operandi das funções cognitivas humanas: memória, imaginação, percepção e raciocínio. Assim, há novos modelos de obtenção, aquisição e produção de conhecimentos, além de um novo estilo de pedagogia.

O ciberespaço tende a ser o principal canal para produção, transação e gerenciamento econômicos; também o mediador essencial da inteligência na sociedade.

Esse cenário desenha novas relações entre formação e mercado de trabalho; aquele formato industrial de ensino-aprendizagem perde cada vez mais sua razão de existir, constatada a distância entre o conteúdo dos cursos tradicionais e a real qualificação pedida no mercado. Há demanda por uma formação que se adapte ao propósito de vida do indivíduo. Não mais uma formação visando exclusivamente à profissão, mas para os sonhos, para os projetos de existência.

Quanto aos processos de aprendizagem, não se trata apenas de tomar novos formatos, mas estabelecer novos paradigmas, dentre os quais se destaca a aprendizagem cooperativa. Assim, alunos e professores caminham em contínua atualização de conhecimentos; os alunos na descoberta de saberes, os professores na renovação de saberes e competências pedagógicas. Aliás, o papel do professor passa de transmissor do conhecimento para incentivador e gestor da aprendizagem. E o ambiente virtual pode favorecer a nova dinâmica.

Para a economia do conhecimento, há necessidade de mudança na cultura do sistema de ensino no que tange sua regulamentação pública. Ora, as novas possibilidades da produção coletiva do conhecimento, dentro de um fluxo de colaboração em rede, questionam a funcionalidade tradicional de empresas e escolas. É possível falar em profunda mudança social; a troca de um modelo industrial de educação para um modelo que proporcione a troca generalizada de saberes. Toda essa mudança urge diante da atual efemeridade do saber prático, da democratização do processo do conhecimento e da flexibilidade das carreiras profissionais.

Dentro do ambiente de trabalho, as capacidades de resolver problemas, movimentar equipes e gerir relações humanas assumem os primeiros postos de competências. A solução para possibilitar esse encontro entre competências ensinadas e competências demandadas é a desregulamentação controlada do reconhecimento dos saberes, a começar pelo sistema de validação de diplomas. Toda a aquisição de competência deve poder receber um reconhecimento social, pedindo assim também um novo modelo de gestão de competências, que permita pedagogias de livre iniciativa e não se limite apenas ao objetivo único de obtenção de diploma.

 

 

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